Todos os Sonhos Que Se Calam |
Grupo de Câmara
Sobre a obra
Esta composição é tecida sobre fragmentos de três textos da escritora portuguesa Florbela Espanca, cujos versos (fortemente influenciados por Luís de Camões) se entrelaçam para formar uma narrativa que deságua no célebre poema A Morte e a Donzela (Der Tod und das Mädchen), de Matthias Claudius.
A música cria um encontro atemporal: é como se Camões dialogasse com Schubert por meio do olhar feminino de Florbela Espanca — tudo isso traduzido e costurado na linguagem da canção brasileira.
A narrativa musical
Durante a peça, a donzela reflete sobre sua própria vida através das palavras de Florbela. Ao perceber a aproximação da morte — evocada no texto de Claudius —, ela inicialmente resiste e pede que a figura "vá embora". Contudo, o desenrolar da obra traz uma transformação: ao final da narrativa, a donzela se entrega e permite ser acolhida. A morte deixa de ser uma inimiga para se tornar uma presença consoladora.
O legado do tema
A obra dialoga diretamente com um dos motivos mais pungentes da arte ocidental ("A Morte e a Donzela"), que simboliza o embate entre a beleza efêmera da juventude e o medo do fim.
É a mesma temática imortalizada por Franz Schubert em seu lied de 1817 e, posteriormente, em seu monumental Quarteto de cordas nº 14 em ré menor (1824) — uma de suas obras-primas mais maduras, escrita quando o compositor austríaco já lidava com a consciência de sua própria morte iminente. Ao revisitar esse texto, a composição ganha uma nova perspectiva, unindo a profundidade do tema europeu à força da poesia em língua portuguesa.
Obra encomendada pela Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP)
Estreada em 26.10.2025 na Sala Motiva Cultural, na série de música de câmara.

Instumentação:
Quarteto de Cordas
Trio de vozes
Soprano
Contralto
Tenor